quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sign out


- Ó Américo, o que será que aquela mulher estará ali a gesticular, hã? Parece que é connosco.

- Eu não vejo nada, passa-me os óculos que estão aí nessa mesa Ernesto. Ah sim, parece mesmo que nos quer dizer alguma coisa... o que foi, mulher? É muda?

- Sim, é muda, vê-se logo. Olha lá, essa senhora não é a muda que há uns anos foi parar ao telejornal da TVI?

- A muda da TVI? Espera...ah já sei, aquela mulher muito baixinha, sempre com a mala debaixo do braço, já sei já sei! Esteve um tempo na TVI a apresentar programas e notícias, é verdade. Olha, já tinha apagado isso da minha memória... vivemos num país tão triste triste, meu caro.

- Olha, parece que está a escrever alguma coisa naquele papel. Vai dar-nos o papel, vem aí.

- Não percebo nada do que quer dizer, minha senhora. Não percebo nada. Dê-me o papel para eu ler senão não chegamos lá. Ora bem, deixa por os óculos outra vez, “Última Hora”. Está aqui escrito última hora, Ernesto.

- A senhora muda só pode estar a querer dar-nos a última e derradeira notícia.

- Será?


- Fonseca, ó Fonseca, vem aqui por favor! Tu não tá achando isso daqui meio paradão? Um silêncio, não se ouve uma mosquinha...

- Era isso, Ricardina? Era isso que você tinha para me dizer? Que isso daí tá meio paradão? Tou voltando para o meu computador. Com a sua licença.

- Ó Fonseca tu é mesmo um banana, tu não percebe das coisas. Não tou ouvindo a minhokinha, não a sinto aqui já faz algum tempo. Tu não ouviu aquele professor falar? Aquele que apareceu aqui com um montão de folhas saindo da pasta?

- Tu foi na conversa do Santos-Lima? Tu tá variando, mulher, tou voltando para o escritório.


- Ana maruja, já ouviste o boato que anda por aí a correr? Parece que a minhokinha desapareceu..

- cala-te, tubarão, que não te posso ouvir.


- Espera aí a ver se eu percebi: ela matou-me assim do nada, fez de mim uma lenda crioula e agora desapareceu e deixa-me aqui a vaguear no espaço? Não posso ficar aqui, Santos-Lima.

- Pois venho precisamente agora de conversar com o arménio e ele está transtornado, considera esta atitude vergonhosa, o autor não pode simplesmente evadir-se, tem responsabilidades para com as suas personagens. O conde está furioso, vocifera vinganças e vulgaridades. Eu confesso que estou deveras preocupado, o que vai ser de nós?


- Chegou ao Voicemail de Adão Decente. Deixe mensagem por favor.

- Adão, Adão, atende, é o Swainsteiger. A Minhokinha desapareceu.


- Se a minhokinha desapareceu mesmo, como vamos voltar para Portugal, Tomé? Eu não quero ficar a minha vida toda em Roseto Degli Abruzzi...


- Olá, como estão todos? Eu sou o intérprete de linguagem gestual, venho a pedido da senhora dona Almerinda que vos quer transmitir o seguinte comunicado:


“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança,

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.”


Luís de Camões fechando a cortina da minhokinha que, com estas palavras, encerra um ciclo de três anos e meio.

Aos amigos que sempre me seguiram um grande abraço, às personagens a certeza de que um dia encontrarão o seu lugar.


minhokinha

4 comentários:

Amilcar Aristides - TIDI disse...

ohhhhhhhh, ki cena....:) entendo. Sabes tb que un blog n morre. e nem precisa.

tudo de bom e sucessos!!!


Como seguidor fico triste mas a obra fica.

bali!!

catarinapinina disse...

Não!!! :-(

Anónimo disse...

E o 3º acto?
E o 3º acto?
E o 3º acto?

Só depois fecha a cortina!

:(

Anónimo disse...

A minhokinha não desaparece nunca! Apenas tirou umas férias do mundo que idealizou para ir uns dias ver como era o mundo real! Vai lá ficar uns tempos, acho eu...foi um anjo que me disse; e claro está, depois vai voltar cheia de energia e bronzeada da cor da vida dura, cheia de força para voltar a sonhar em novos projectos!
ADORO-TE MUUUITO!!!

Bj John...s