quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Make (lots of) LOVE not war


Há alguns portugueses, e neste aspecto ignoro se existe alguma semelhança com europeus de outras nações, que têm o péssimo hábito de chamar macacos àquelas pessoas que consideram ser menos civilizadas. Pior do que isto, e mania que me irrita ainda mais do que todas as outras, é usar o mesmo termo para se referirem a pessoas com a cor da pele mais escura ou negra, advertindo prontamente o meu olhar chocado que não são racistas, nada disso. É com carinho que os chamamos de macaquinhos. E sorriem. E continuam a falar do que realmente importa: as taxas de juros, a crise mundial, a falta de dinheiro para o MEO e as futilidades da sempre agitada vida europeia.
Estando nestas considerações cruzei-me com o termo Bonobo num daqueles acasos da vida que mais tarde dão que pensar. Os bonobos são macacos (como os chimpanzés, orangotangos e gorilas) que habitam as florestas do Congo, África central aka berço da humanidade. Foram descobertos por Harold Coolidge em 1928 (cf. Wikipédia), mas só a partir de meados da década de 70 foram estudados no seu habitat natural e em cativeiro.
O bonobo é a espécie mais próxima do ser humano e, de todos os macacos, são os que apresentam maiores semelhanças físicas e comportamentais connosco. Do ponto de vista físico fazem lembrar os nossos antepassados Australopitecos, andam com dois pés, são extremamente inteligentes e alguns dos que foram mantidos em cativeiro chegaram a aprender a linguagem humana. Está o leitor de boca aberta? Então escancare-a mais um bocadinho ao tomar conhecimento que nós (Excelentíssimo Magnânimo Senhor Doutor, Honradíssima e Digníssima Senhora Juíza, Respeitável Engenheiro e Cara Madame) partilhamos 98,4% do mesmo DNA destes… macacos?!?
Ao contrário da sociedade machista e competitiva dos chimpanzés, a sociedade bonobo é pacífica, harmoniosa, matriarca e procura sempre promover a igualdade. Embora machos e fêmeas desempenhem papéis distintos, mas igualmente relevantes, as senhoras carregam consigo um peso social de maior relevo. Elas formam laços estreitos e alianças entre si, o que será talvez um modo de preservarem o seu poder relativamente aos machos que são superiores fisicamente.
Outro aspecto curioso é o facto de se revelarem particularmente devotos da máxima “Make Love not war” herdada dos hippies anos 60. Fazem amor, muito amor e de todas as maneiras possíveis. São extremamente amorosos, demonstrando amiúde o seu carinho e compaixão pelo próximo. Tal como para os humanos, o sexo para os bonobos transcende a mera função reprodutiva, existindo como meio de ligação entre seres, união, troca de energia e prazer. É um dos factores fundamentais que mantém a sociedade unida, pacífica e cooperante. O psicólogo Frans de Waal descreveu-os como pansexuais, pois envolvem-se em encontros heterossexuais, homossexuais e em grupo. Ao contrário de outros macacos (e eu acrescentaria, de alguns homens), os bonobos fazem amor olhando o seu companheiro nos olhos. Quando diferentes grupos se encontram na floresta cumprimentam-se, aproximam-se sexualmente e, em vez de lutar, trocam comida. Da mesma forma, algum conflito no seio da comunidade é resolvido com (a sempre bem-vinda) actividade sexual, carícias no pêlo e troca de comida.
Os chimpanzés machos gostam de se armar com gracinhas machistas para impressionar as fêmeas e podem até ser veementemente persuasivos nas suas demandas. Como resultado desta imposição, a fêmea não tem grande controlo sobre com quem acasala, o que é deveras lamentável. Na sociedade bonobo, os machos são mais educados, não invasivos e não violentos: primeiro pedem, ou perguntam, de forma algo persuasiva mas cordial e esperam pela resposta, conscientes de que a fêmea tem sempre o direito de recusar a proposta.

Posto isto, impõe-se a questão: quem são os verdadeiros macacos do nosso pequeno planeta Terra?


Informações: http://www.bonobo.org/
Foto: Reuters (31.10.2006)

Este texto foi escrito em parceria com http://www.al-qaerva.blogspot.com/ Visitem se querem liberdade p'ra dentro da cabeça!!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Braga é linda!


São recantos aparentemente banais como este que me dão um orgulho "do carago" de ser de Braga!

História vs Progresso




Em Braga é assim: escava-se um buraquinho em nome do desenvolvimento e dá-se imediatamente de caras com Bracara Augusta! Os bracarenses já há muito se habituaram a esta espécie de segredo escondido mesmo debaixo dos seus pés. Para inglês ver a árvore genealógica da nossa querida cidade temos a Citânia de Briteiros, um espaço arqueológico entre Braga e Guimarães, onde foram descobertas ruínas de uma povoação romana, em 1875, e preservadas até aos nossos dias. Uma espécie de aldeiazinha do tempo da Maria Caxuxa onde as crianças de agora saltam, brincam e imaginam os tempos de então. Aqui e ali foram sendo encontradas mais ruínas, criámos o Museu de Arqueologia e assim continuámos a homenagear os nossos antepassados. Parecia ponto assente que onde há ruína histórica não entra a manápula de aço da modernização… até agora?
Detentores que somos de um dos maiores túneis rodoviários de Portugal (ou da Europa? Também temos a mania das grandezas...), o nosso mais que amado e ancião Presidente da Câmara resolveu por bem esticá-lo mais um pouco, talvez para não deixar margem para dúvidas acerca do seu vasto comprimento. Assim, eis que ele irrompe pela Avenida da Liberdade, artéria principal da cidade, com ainda mais fulgor do que já havia irrompido há mais de uma década. No entanto, à primeira ou segunda escavadela lá estão elas, as ruínas, à vista de todos, e desta vez parece que se encontrou um sarcófago e tudo mais ou menos em frente à Zara!


E agora, Francisco? – pergunto directamente ao senhor presidente. Quem dá o xeque-mate? A História ou o Progresso?

domingo, 16 de novembro de 2008

Breathless...

O anúncio em questão já não é novidade nenhuma para os portugueses, mas vê-lo na tela grande do cinema até arrepia. É o poder da Super Bock, como me segredaram ao ouvido, e o que de mais original se tem criado na publicidade em Portugal. Simples, objectivo, directo ao âmago.

Vejam o vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=nfFZ5dcGaJw&NR=1) e atentem nas palavras: Magnífico!

All of these lines across my face

Tell you the story of who I am

So many stories of where I've been

And how I got to where I am

But these stories don't mean anything

When you've got no one to tell them to

It's true...I was made for you



I climbed across the mountain tops

Swam all across the ocean blue

I crossed all the lines and I broke all the rules

But baby I broke them all for you

Because even when I was flat broke

You made me feel like a million bucks

Yeah you do and I was made for you



You see the smile that's on my mouth

Is hiding the words that don't come out

And all of my friends who think that I'm blessed

They don't know my head is a mess

No, they don't know who I really am

And they don't know what I've been through like you do

And I was made for you...



All of these lines across my face

Tell you the story of who I am

So many stories of where I've been

And how I got to where I am

But these stories don't mean anything

When you've got no one to tell them to

It's true...I was made for you



The Story, Brandie Carlile

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O que ando a ler: Contos Policiais

"É um crime, caro leitor. Um crime! A vítima somos nós, leitores portugueses, e não há dados que nos apontem para um possível assassino. É praticamente um dado unânime que a literatura portuguesa é vítima de um crime de ausência: a do policial entre a nossa ficção."
É com estas palavras que o coordenador de Contos Policiais (Porto Editora, 2008), Pedro Sena-Lino, justifica o convite a nove escritores para que se embrenhassem no género iniciado pelos mestres Edgar Allan Poe, Arthur Conan Doyle e Agatha Christie. Assim, Dulce Maria Cardoso, Francisco José Viegas, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, Mafalda Ivo Cruz, Mário Cláudio, Ricardo Miguel Gomes, Rui Zink e valter hugo mãe recolhem as impressões digitais dos mais variados crimes e levam-nos a percorrer alguns dos caminhos dos seus mistérios.
Para aguçar a curiosidade do leitor, deixo aqui um excerto daquele que, para mim, é o conto mais surpreendentemente bem narrado: "Desaparecida", de Dulce Maria Cardoso (quem é esta ilustre "desconhecida"?)
As moscas não paravam de volta dela. A mulher abanava a cabeça, mexia o corpo em gestos brutos mas as moscas já não fugiam. Deixavam-se ficar pousadas e a mulher sentia-lhes as patas a fazerem comichão, de vez em quando as picadas. A mulher estava de pé. Tinha as mãos algemadas atrás das costas. Estava ferida e não dormia há mais de dois dias. Respirava com dificuldade. O sol ardia-lhe no corpo especialmente nas partes que a roupa não cobria. As moscas lutavam pelos sítios onde a carne inchara e onde o sangue ainda não coagulara. (...)
Os homens estavam perto da mulher, atentos à cova que se abria. Eram quatro mas só um deles cavava. (...)
Um deles, o mais alto de todos, aproximou-se dela a fumar, queres?, perguntou estendendo o cigarro. A mulher não respondeu mas mesmo assim ele pôs-lhe o cigarro entre os lábios feridos. Dá uma passa, disse. Ela deu.
E por uma questão de justiça, deixo também à vossa consideração um outro excerto do que me parece ser o momento mais infeliz desta edição, curiosamente do jovem que ganhou o prémio José Saramago (2005) e que passou a ser conhecido como aquele-que-publica-mais-de-três-ou-quatro-livros-por-ano: Gonçalo M. Tavares, "Bucareste-Budapeste: Budapeste-Bucareste"
Chegados de Budapeste. Dois vultos de noite. Duas manchas escuras sobre uma grande mancha escura. Mas as duas pequenas manchas escuras agem, têm um objectivo; a noite, essa - a grande mancha escura - tudo indica que não; não tem objectivo. (...)
Os dois homens entram para um novo escuro, um escuro mais pequeno, fechado, organizado. É dentro da noite, mas fora da noite.

Mata-me de Novo!


Para quem não lhes punha a vista em cima há mais de um ano, o concerto de Da Weasel na passada sexta-feira em Vila Nova de Famalicão foi como um cappuccino a escaldar numa noite de neve: muito bom e mesmo a calhar!



5 da manhã, cerveja martini e morfex,

não consigo relaxar precisava do teu SEX
quando a cabeça não tem juizo, consomes mais do que é preciso,
Variações cantou e eu realizo,

o corpo é que paga deixa-o pagar deixa-o pagar,
se tás a gostar, puto, há que aguentar,

o preço é bem caro mas vale a pena bebé,
sabes do que estou a falar, sabes bem como é que é.
Não tou contigo há 3 noites, mas parece uma eternidade,
nunca pensei que pudesse sentir tanta saudade.
Só tu me conseguias acalmar neste momento acredita,
já tentei tudo o resto, só me serve a minha pita.
De cigarro em cigarro a cacilhar brutalmente, tenho a tua foto à minha frente
e parece que de repente, sorriste para mim piscaste o olho molhaste a boca,
sabes que me matas e eu já tou meio touca...


Mata-me de novo!

só mais um bocadinho, preciso do teu quê, só mais um bocadinho

Mata-me de novo!

só mais um bocadinho, preciso do teu quê, só mais um bocadinho

Mata-me de novo!

só mais um bocadinho, preciso do teu quê, só mais um bocadinho


up tronick so sonic mensagem cerebral, sem fazer esforço algum o resultado é genial,
a TV Shop está a lancar uma imagem meio turva, no mini bar do Hotel ja acabou a minha surva.
Deito-me ao teu lado, começo a fazer-te festas, só posso tar a flashar pa te tar a dar destas
venho-me pra cima de ti, desculpa lá o mau jeito, não estava à espera mas o que tá feito tá feito.
Foi tão bom para ti como foi para mim, por favor diz-me que sim, por favor diz-me que sim.
Não te importas que adormeça? Fica do meu lado, vou sonhar contigo...

mata-me mais um bocado!

Mata-me de novo!

só mais um bocadinho, preciso do teu quê, só mais um bocadinho...